No longínquo ano de 1995, duas novas bandas em destaque no cenário brasileiro eram frequentemente comparadas: Raimundos e Mamonas Assassinas. Ainda que existissem diferenças substanciais na sonoridade de ambos, parte do público e até da crítica colocava os dois grupos no mesmo balaio em função das letras bem-humoradas.

Uma antiga entrevista do Raimundos ao jornal "Folha de S. Paulo", datada de 4 de novembro de 1995, mostra que os integrantes não gostavam muito da comparação com os Mamonas Assassinas. Durante o bate-papo, o quarteto buscou explicar as diferenças com os colegas do Mamonas.

Na época, o Raimundos havia acabado de lançar seu segundo álbum, "Lavô Tá Novo". O trabalho que dava sequência ao disco de estreia, autointitulado, responsável por vender 180 mil cópias - em um selo independente, o Banguela.

"Não gosto quando comparam a gente. Não tem nada a ver. A gente quer fazer um som legal, tocar uma porrada, fazer uma zoeira, não fazer o público rir", disse o vocalista Rodolfo Abrantes, que também exaltou os méritos dos Mamonas, dentro da lógica "se vendeu é bom", de acordo com a reportagem.

O guitarrista Digão, por sua vez, comentou: "Eles parecem mais com o Falcão (compositor brega-cult). Só que o Falcão é mais inteligente".

O jornal aponta que o baixista Canisso era o único integrante do Raimundos que gostava dos Mamonas Assassinas. Rodolfo ironizou: "Também, ele gosta da música de qualquer um de quem fica amigo".

reportagem, que também traz um comentário da banda sobre Robert Plant e Jimmy Page (ambos Led Zeppelin) estarem "velhos", pode ser lida na íntegra no site da "Folha de S. Paulo".